Acompanhe a Bela História escrita pelo nosso Sócio e Amigo o Sidnei José Buso sobre seu charmoso Jeep.
A história dos “Jeeps” nasce em 1940, quando o exército dos Estados Unidos abre concorrência para fabricantes de veículos, devido a uma necessidade de um veículo leve, robusto e preferencialmente de tração 4×4, com vistas à modernização do arsenal e com o horizonte sombrio da Segunda Guerra Mundial.
Com designação oficial Truck, 1/4 ton, foiproduzido de 1941 a 1945, em um total de aproximadamente 647.925 unidades, em sua maioria foram na versão Willys MB (produzida pela Willys Overland) e o Ford GPW (produzida pela Ford Motors Co.).
Mas sua história não terminaria ali, pois a Willys Overland adaptaria um modelo civil, após o final da Segunda Guerra Mundial, denominado CJ2-A e produzido entre fins de 1945 e 1948 e com a versão seguinte, o CJ-3A, produzido de 1949 a 1953, sendo este um marco na transição dos veículos militares para o utilização civil e agrícola, ficando conhecido como “Fazendeiro Universal”, tinha como características um para-brisa inteiriço, limpadores na parte inferior, suspensão aprimorada e um sistema de transmissão muito reduzido para lidar com os terrenos difíceis de fazendas.
Os Jeeps ainda passariam por diversas transformações em sua história, transformando-se em marca que até hoje, em suas versões mais modernas, trazem encantamento aos seus proprietários, mas nunca haverá um jeep como o MB ou o GPW da época da Segunda Guerra Mundial.
JEEP CJ3-A 1952 CUSTOMIZADO PARA MB 1942
Sonho de infância, em 2011 consegui adquirir um Jeep Willys Overland, importado, modelo CJ3-A, ano 1952 no documento, mas com características de carroceria que remontavam o modelo de 1951 e um motor de 4 cilindros do modelo OHC 2.3 litros que equipou algumas versões do jeep CJ5-A produzido pela Ford do Brasil S.A., além da caminhonete F-75 e do Maverick 4 Cilindros. O antigo estava na cor marro metálica, bancos de Tempra, um volante pequeno, capota tipo toldo só para motorista e passageiro da frente e suspensão com jumelos de F-75 para ficar mais alto para trilhas.
Como minha intenção sempre foi ter um “Jeep Militar”, o “Frederico” (como minha esposa carinhosamente o batizou) passou por várias etapas de transformação até chegar no que queria que se transformasse que era um modelo que se assemelhasse ao modelo MB de 1942.

“Frederico” em julho de 2011
A PRIMEIRA TRANSFORMAÇÃO
Ainda em 2011, “Frederico” passou por um processo de mudança na cor da pintura para verde militar, marcações militarizadas de jeeps americanos, troca de bancos, pneus, troca dos jumelos para a medida original do CJ3-A e ganhou alguns acessórios para jeeps militares antigos (como uma capota para o jeep militar modelo M38, volante militar, para-choque traseiro militar e suporte de estepe militar na traseira), levando cerca de 6 meses para chegar no primeiro perfil militar semelhante ao modelo dos fuzileiros navais americanos de 1950 (modelo CJV35/U). Para completar a estilização, como nos jeeps militares da Segunda Guerra, foi feita uma arte para homenagear minha esposa e assim “Frederico” recebeu no quadro do para-brisa o nome “Miss Jackie”




A SEGUNDA TRANSFORMAÇÃO
Como o modelo militar M-38 remete exatamente ao jeep CJ3-A, porém com sistema elétrico 24 Volts e melhorias para uso semi-submerso, minha primeira ideia foi tentar remeter o “Frederico” àquele modelo, pois seria o mais simples para o processo de “militarização”.
Parti então procurar por acessórios (ganchos de suporte no para-choque dianteiro, suporte para galão de combustível na traseira, aros protetores de farol dianteiro, lanternas traseiras militares, placa indicativa para passagem em pontes, alças laterais e traseiras para carregamento, lanterna dianteira de “blackout” e banco de passageiros traseiro), levando assim a uma segunda fase de transformação, que levou mais 8 anos e, durante esses, participando sempre que possível de eventos de antigomobilismo ou de viaturas militares antigas.

A TERCEIRA TRANSFORMAÇÃO
Em 2020 me deparei com um anuncio de uma grade frontal do modelo MB de 1942 para o jeep. Como um grande amigo já havia feito uma customização igual, este me incentivou a começar a modificação para o modelo da Segunda Guerra.
Assim adquiri a grade, feita em fibra a partir do modelo original, faróis condizentes com o modelo de 1942, porém para linha agrícola e lanternas tipo “torpedo” militares, que resultou no “Frederico” com a frente do MB, mas o quadro do para-brisas, do CJ3-A.


Mas ainda faltava uma coisa a fazer, pelo menos para deixar com aquela cara e do 1942, a troca do quadro de para-brisas e, pra minha sorte, apareceu no mesmo ano que troquei a grade um camarada no Rio Grande do Sul com um a venda.
Passei então a última etapa de uma transformação que levaria mais de 9 anos até chegar no modelo final atual do “Frederico”. Para a troca do quadro, precisei comprar os vidros temperados, que foram cortados na medida e com espessura igual ao do MB e os limpadores foram substituídos por manuais, já que o CJ3-A ainda tinha um motor elétrico para o lado do motorista. Além disso, a capota do MB é presa no quadro por sistema diferente do CJ3-A, sendo por parafusos fixos no quadro e olhal na capota.



Mas ainda faltava uma coisa, “Miss Jackie” recebeu uma nova estilização.



“Missis Jackie” e “Miss Jackie” no desfile de 7 de setembro de 2025.